domingo, 27 de março de 2011

Sempre quis ser advogada, desde criança. Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, a resposta era rápida. Enquanto as outras meninas queriam ser bailarinas, professoras ou veterinárias, eu queria ser advogada. E não havia qualquer justificativa para minha escolha, fossem pais advogados ou qualquer parente próximo que tivesse cursado direito. Que tipo de criança chata prefere ser advogada à bailarina? Pois é. As outras crianças costumavam, ainda, mudar de opinião constantemente. A cada hora queriam ter uma profissão diferente. Eu não. Obstinada, sempre quis ser advogada.

Aí eu me mudei para uma cidade onde havia uma universidade pública que tinha um conceituado curso de direito, cresci, fiz alguns vestibulares e pronto, dei o primeiro passo para realizar o sonho infantil.

Agora, cursando o quinto e último ano e prestes a iniciar um curso preparatório para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil, eu, que sempre fui tão coerente, que desde criança não quis ter nenhuma outra profissão que não a de advogada, tenho me perguntado se, afinal, é isso o que eu realmente quero. Por que não ser decoradora, paisagista ou qualquer outra coisa mais leve, mais bonita, menos burocrática?

Hoje invejo minha convicção infantil. Era tão mais simples querer ser alguma coisa quando ainda faltavam muitos anos para, de fato, ser aquela coisa. Ou, quem sabe, eu tenha feito a escolha errada. Vai ver eu deveria ter escolhido ser bailarina.

quarta-feira, 23 de março de 2011

"Esse é o meu problema na vida, eu passo por ela correndo, como se estivesse sendo perseguida. Mesmo nas coisas em que só o que importa é a lentidão, como tomar um chá relaxante. Quando tomo um chá relaxante, eu o engulo como se estivesse num concurso de quem bebe chá relaxante mais depressa. Ou, se estou numa piscina aquecida com algumas pessoas e estamos todas olhando para as estrelas, eu serei a primeira a dizer: É tão bonito aqui. Quanto mais cedo você diz, É tão bonito aqui, mais depressa você pode dizer, Nossa, está quente demais pra mim."

"O homem na escada". In: É claro que você sabe do que estou falando. Miranda July. 

segunda-feira, 14 de março de 2011

I'm no superwoman

Nos últimos dias tenho sentido como se carregasse todo o peso do mundo nas costas.

Eu só espero que seja compensador o alívio de quem descarrega seu quinhão sobre os meus ombros, pra que, afinal, minha sobrecarga tenha ao menos alguma utilidade.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

"Deteve-se para chutar um pedregulho maior. Na véspera, fizera aquele mesmo trajeto em companhia de Conrado. E como lhe perguntasse o que pretendia fazer no próximo ano ele respondera, entre risonho e grave: 'Lembre-se de alguma coisa inútil e provavelmente será isso que estarei fazendo. Ouça, Virgínia, é preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas. A música - acrescentou detendo-se ao ouvir os sons de um piano num exercício ingênuo. - Este céu que nem promete chuva - prosseguiu, atirando a cabeça para trás. - Aquela estrelinha que está nascendo ali... está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os Reis Magos, nem os pastores, nem os marinheiros perdidos... Não faz nada. Apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a Beleza. No inútil também está Deus.'"

Ciranda de pedra. Lygia Fagundes Telles.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

"Assignment #70
 Say Goodbye

Sometimes is hard to say goodbye. It just feels easier to keep holding on. But in the long run it's usually a good idea to let go, it's the daring thing to do. It allows room for new things, for transformation. And maybe the goodbye isn't even forever, but you can't know until you really say goodbye and mean it. In some cases, goodbye is really the end, and good riddance! For this assignment, say goodbye to all the things you need to let go of: bad habits, dead people, alive people, ex-boyfriends and girlfriends, self-destructive feelings and behaviors, jobs, projects, re-occuring thoughts, etc.

Write it as a simple list:

Goobye Bill.

Goodbye wetting the bed.

Goodbye interrupting people when they're talking.

etc.

It can be as long or as short as you like. And, most important, take a moment with each one to really say goodbye. This isn't a catalogue of your fears and faults, this is a ceremony to bid them farwell. Please, don't send us HELLOS, just goodbyes."

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

pergunta e a resposta:

"Poesia não serve para entender, ela justamente explica que não precisamos nos entender para viver."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"Mas naquele momento, colocando as roupas na mala, ele se sentia fisicamente doente. Sua vida estava ali em volta; por mais coisas que pusesse numa mala, porém, ele não poderia levar a vida. Até mesmo se levasse tudo o que possuía, ainda deixaria algo para trás."

Juliet, Nua e Crua. Nick Hornby.