segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A pálida

"No café-da-manhã, minhas certezas servem-se de dúvidas. E têm dias em que me sinto estrangeiro em Montevidéu e em qualquer outra parte. Nesses dias, dias sem sol, noites sem lua, nenhum lugar é o meu lugar e não consigo me reconhecer em nada, em ninguém. As palavras não se parecem àquilo que dão nome, e não se parecem nem mesmo ao seu próprio som. Então não estou onde estou. Deixo meu corpo e saio, para longe, para lugar nenhum, e não quero estar com ninguém, nem mesmo comigo, e não tenho, nem quero ter, nome algum: então perco a vontade de me chamar ou de ser chamado."

O livro dos abraços. Eduardo Galeano.
Da idade e a seletividade

É fato: com o passar dos anos, o círculo social de todo mundo diminui. E a relação existente entre a idade e o número de amigos é lógica. Ao longo dos anos, nosso tempo vai se tornando casa vez mais escasso, o que faz com que tenhamos que aproveitar da melhor maneira possível o pouco tempo livre que costuma nos restar.

Daí surge a seletividade. Ora, quanto mais curto for o tempo disponível para dedicar-nos aos amigos, menor será também o número de amigos a quem nos dedicaremos. Sim, porque amizade demanda dedicação, tem de ser cultivada. Assim, passamos a selecionar, muitas vezes inconscientemente, aqueles que teremos por perto nos raros momentos de diversão - mas não apenas nestes. Além disso, existem também os fatores alheios à nossa vontade que acabam nos afastando de determinadas pessoas e aproximando de outras.

Aí, então, quem nós mantínhamos por perto mais por comodismo que por afinidade, aqueles de quem não recebíamos de volta o tempo e dedicação que por nós lhes eram dispensados, esses vão ficando pelo caminho, porque o tempo (ou a falta dele) ensina que é preciso livrar-se do excesso de bagagem.

sábado, 4 de setembro de 2010

Quando fecho a porta do quarto me sinto a única moradora de um mundo que eu gosto tanto. Sensação boa de estar bem acompanhada, ainda que sozinha.

sábado, 28 de agosto de 2010

"Him: Jade.
Her: Alexander.
Him: Do you remender that day you fell outta my window?
Her: I sure do, you came jumping out after me.
Him: Well, you fell on the concrete, nearly broke your ass, you were bleeding all over the place and I rushed you out to the hospital, you remember that?
Her: Yes, I do.
Him: Well, there's something I never told you about that night.
Her: What didn't you tell me?
Him: While you were sitting in the backseat smoking a cigarette you thought was gonna be your last, I was falling deep, deeply in love with you, and I never told you til just now."

Edward Sharpe & The Magnetic Zeros - Home

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Vontade indecifrável,
vontade de nuvem.
Dobro orelhas nas páginas dos livros para que, além de falar, possam eles também me ouvir.

domingo, 22 de agosto de 2010

Porta-moedas

Não coleciono mágoas, tampouco guardo uma ou outra. Tenho memória curta, o que me traz inúmeros inconvenientes, como não lembrar o que foi estudado na aula passada. A vantagem é essa: em pouco tempo me esqueço de qualquer chateação. Há tão pouco espaço, pra quê ficar acumulando ressentimentos? Prefiro re-sentir coisas boas, dia bonito, carinho. Porque deixar-se entristecer duas vezes pelo mesmo motivo é burrice.

O acúmulo de lixo sentimental nos deixa feios, a dor de estômago que amarra a cara e amarga a boca. É um dos causadores daquela doença ruim, dizem. Aí de que adianta você banir a gordura trans do cardápio e continuar remoendo esses pesares? Saudável é ser feliz.
Às vezes, o que impede de perdoar é o medo besta de ser incoerente, desdizer-se. "Mas eu disse que jamais falaria com ela de novo." E quantas outras promessas a gente faz pra logo em seguida quebrar? A academia, as três horas diárias de estudo, ser mais paciente. Vivo me prometendo tantas coisas. Cumpro um décimo delas. Então, por que não descumprir logo a promessa maléfica? Decerto que qualquer santo perdoaria.

A mágoa, ainda que pequena, pesa mais que chumbo. E não há cofre-do-tio-patinhas que pague a sensação de leveza que dá livrar-se dela. Por isso, prefiro voltar atrás. Não tenho mais vergonha de admitir o erro. O tempo é quem melhor nos ajuda a perceber o julgamento equivocado, além de mostrar o quão pequeno é, na verdade, aquilo que parecia tão grave. E o que pode ser mais triste que ser mesquinho?

Então, fique com o troco, não faço questão dele. Afinal, nunca tive um porta-moedas.