"A doidice que deixava ele doido por ela ia aumentando toda hora, todo dia, sendo muito pior no período da tarde. A vida ia indo, um dia atrás do outro, todo dia a mesma coisa, nada no mundo mudava. Mas para Antônio tudo mudou ali, exatamente naquele dia, ô dia desgraçado para as coisas desandarem, no exato momento em que ele viu o seu provável destino se recolher à sua frente, como uma passadeira vermelha que se enrolasse de volta, eita agonia miserável. Foi isso que ele sentiu naquele dia, foi ali que começou o desespero de Antônio, portanto nunca ia esquecer os detalhes. Cheguei cedo pro treino, Karina? E ela disse que não ia ter treino aquele dia não, nem treino nem ensaio, nem naquele dia nem nos próximos, que tinha chegado a hora de pôr em prática e por este motivo ela ia se embora pro mundo, no que Antônio lhe respondeu, é o mundo que você quer? Então eu trago ele pra você."
A máquina. Adriana Falcão.