Começo, recomeço, início, fim sem meio. Tentar, tentar de novo, mais uma vez. Vontade, força, força de vontade, esforço, esperar, esperança.
Tão difícil acreditar que "dessa vez vai ser diferente" quando todas as outras foram tão iguais, tão banais. Conviver com a frustração, decepção. Por que não simplesmente conseguir sem a necessidade desagradável de tentar? Em quem acreditar quando não se pode mais crer nem mesmo em si mesmo, não é mesmo? Mais uma chance, mais duas chances, mais quantas chances forem necessárias. Desde que se perca o medo, aquele de tentar, o de frustrar, mais uma vez decepcionar. O pior deles, que impede de, quem sabe, uma vez ganhar, conseguir, conquistar.
Não mais deixar de jogar por puro medo de perder, de arriscar pra não machucar, de pular pra não cair. Esse pânico de altura que impede de voar, do desconhecido que impede de se surpreender. Que se fodam as vertigens, as virtudes. E que venha mais uma vez a esperança boba que insiste em sobreviver a cada perda, e inunda o vazio cheio de buracos, mas consegue não vazar. Reconstitua aos poucos, renove, reforme, pinte de verde, redecore. Põe umas flores novas no vaso e não esquece de regar. Não deixa morrerem. Não dessa vez.