Fiz as pazes comigo. Com a música leve, os filmes e seus finais felizes, as páginas tímidas dos livros. Com o dia nublado bonito ali fora, o vento no jardim despedaçado pelo outono. Os amigos melhores e seus abraços, a embriaguez das noites de sábado. Até as manhãs quietas, que vão se fazendo agradavelmente barulhentas. As sonecas da tarde sem culpa, pra depois fazer o dever. Com a efemeridade das coisas, até as supostamente duradouras. E os lugares-comuns, as filosofias baratas, os sambas e botequins. Fiz as pazes comigo, e posso voltar a ser eu no meio de tanta gente.
O sol ensolarará a estrada dela, a lua alumiará o mar. A vida é bela, o sol, a estrada amarela, e as ondas, as ondas, as ondas, as ondas.
quinta-feira, 12 de abril de 2007
quinta-feira, 15 de março de 2007
Minha cabeça é uma cidade abandonada num filme de faroeste. Posso sentir o vento assoviar e soprar uma bola de feno no meio da poeira. Não penso mais, e é como se algo bloqueasse qualquer tentativa de sair dessa inércia intelectual. Não que eu esteja me esforçando muito, é verdade. É que nada tem me despertado algum interesse, tudo anda terrivelmente sem graça. Nem meus problemas me importam mais (não que eu os tenha, mas costumava me divertir inventando-os).
Se nem meus draminhas psicológicos têm me interessado, que dirá as mazelas do mundo. Fome, terrorismo, desigualdade social, aquecimento global, e lá se vai minha minúscula paciência. O mesmo pra Nietzsche, Nouvelle Vague e toda intelectualidade - pseudo ou não. Fiquei burra. Ou simplesmente cansei. Uma incrível retória ou uma cara blasé já não me comovem. Me refugio em estupidez e futilidade, lugares confortáveis e seguros.
Tudo tende ao tédio, fato. E todo entediado me irrita profundamente, embora muito provavelmente seja isso - o tédio - a principal causa desse vácuo mental. Eu me irrito, e estou em processo de auto-irritação neste exato momento. A solução é uma boa dose de alienação. Vou desligar o livro e ler a tv, então. Não que eu me orgulhe disso.
Se nem meus draminhas psicológicos têm me interessado, que dirá as mazelas do mundo. Fome, terrorismo, desigualdade social, aquecimento global, e lá se vai minha minúscula paciência. O mesmo pra Nietzsche, Nouvelle Vague e toda intelectualidade - pseudo ou não. Fiquei burra. Ou simplesmente cansei. Uma incrível retória ou uma cara blasé já não me comovem. Me refugio em estupidez e futilidade, lugares confortáveis e seguros.
Tudo tende ao tédio, fato. E todo entediado me irrita profundamente, embora muito provavelmente seja isso - o tédio - a principal causa desse vácuo mental. Eu me irrito, e estou em processo de auto-irritação neste exato momento. A solução é uma boa dose de alienação. Vou desligar o livro e ler a tv, então. Não que eu me orgulhe disso.
quinta-feira, 8 de março de 2007
A gente tenta encontrar explicação pra tudo, o tempo todo. Uma causa, razão, um culpado. Mas, infeliz ou felizmente, nem sempre encontra. Na verdade, poucas vezes há realmente um porquê, ou por quem. E como é difícil perceber - e aceitar - que a responsabilidade é sua, toda sua. Se essa nuvem acinzentada insiste em permanecer rondando sua cabeça, você é que deixa ela ficar aí, te atormentando. Assim como esse arco-íris que se estende a sua frente, foi você quem pintou.
Não adianta esperar que alguém surja de repente e te faça feliz. Felicidade não tem delivery. Só depois de entender que ninguém vale a pena, é que todo mundo passa a valer a pena. Uns menos, outros mais. Mas vale uma peninha que seja. E essa história de não correr atrás das borboletas talvez faça sentido. Mas ficar só cuidando do jardim pode não ser a solução. O importante é não esperar apenas borboletas, mas se divertir também com as mariposas, abelhas e vagalumes que ficam voando por aí. E, principalmente, praticar o desapego. Porque uma horas elas vão embora, e você vai ficar. Bem ou mal, depende de você.
Ser o único responsável por si é chato, pesa e incomoda. Mas é bom saber que também é você quem vai te levantar quando ninguém estiver por perto pra estender a mão. Então bate a poeira e vai dançar. E quer saber, eu me sinto terrivelmente bem.
Mode auto-ajuda: on.
Não adianta esperar que alguém surja de repente e te faça feliz. Felicidade não tem delivery. Só depois de entender que ninguém vale a pena, é que todo mundo passa a valer a pena. Uns menos, outros mais. Mas vale uma peninha que seja. E essa história de não correr atrás das borboletas talvez faça sentido. Mas ficar só cuidando do jardim pode não ser a solução. O importante é não esperar apenas borboletas, mas se divertir também com as mariposas, abelhas e vagalumes que ficam voando por aí. E, principalmente, praticar o desapego. Porque uma horas elas vão embora, e você vai ficar. Bem ou mal, depende de você.
Ser o único responsável por si é chato, pesa e incomoda. Mas é bom saber que também é você quem vai te levantar quando ninguém estiver por perto pra estender a mão. Então bate a poeira e vai dançar. E quer saber, eu me sinto terrivelmente bem.
Mode auto-ajuda: on.
domingo, 4 de março de 2007
Uma saidera, pouca saudade
O dia depois e os olhos pequenos vermelhos de sono e soro, da noite mal dormida e o tempo perdido. Acreditar nas inocentes pequenas mentiras contadas por si para si. Conforto, consolo.
Tantas vezes lidas - relidas - palavras bonitas de Chico, despropositadamente deixadas na porta do banheiro do bar. O último cigarro e a conhecida sensação de que continua sendo em vão.
Quem sabe um dia voltem.
O dia depois e os olhos pequenos vermelhos de sono e soro, da noite mal dormida e o tempo perdido. Acreditar nas inocentes pequenas mentiras contadas por si para si. Conforto, consolo.
Tantas vezes lidas - relidas - palavras bonitas de Chico, despropositadamente deixadas na porta do banheiro do bar. O último cigarro e a conhecida sensação de que continua sendo em vão.
Quem sabe um dia voltem.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Você lutou. Travou combate contra si mesma e toda insegurança, cansaço e a tentadora opção de simplesmente desistir. Tirou forças sabe lá deus de onde, descobriu uma persistência até então desconhecida. Veio, viu e venceu.
E como o irritante cãozinho que late e corre atrás do carro - e quando o carro pára, ele também -, você se depara com a grande conquista de sua vida, seu maior trófeu, o mérito de todo o descomunal esforço. E pára.
Decepcionada? Não exatamente. Confusa, talvez. É que ninguém se deu ao trabalho de dizer o que fazer depois. Falta uma parte desse manual. Os de eletrodomésticos ensinam não só a montar, mas também a usar, paciente e ilustradamente. Quisera ter conquistado um liquidificador.
Talvez aquele inverno estomacal posterior à dúvida não se repita exatamente porque a mesma foi confirmada. O que há agora é uma certeza - ainda que acompanhada de uma porção de outras dúvidas. Mas quem é que precisa de manual? Algumas coisas são universais, como o grande botão vermelho, que mesmo que tenha power escrito em mandarim, será pressionado instintivamente quando o propósito for ligar a tv. E em todo o resto dá-se jeito. Ninguém deve saber qual a função de cada um de todos aqueles botões mesmo.
E como o irritante cãozinho que late e corre atrás do carro - e quando o carro pára, ele também -, você se depara com a grande conquista de sua vida, seu maior trófeu, o mérito de todo o descomunal esforço. E pára.
Decepcionada? Não exatamente. Confusa, talvez. É que ninguém se deu ao trabalho de dizer o que fazer depois. Falta uma parte desse manual. Os de eletrodomésticos ensinam não só a montar, mas também a usar, paciente e ilustradamente. Quisera ter conquistado um liquidificador.
Talvez aquele inverno estomacal posterior à dúvida não se repita exatamente porque a mesma foi confirmada. O que há agora é uma certeza - ainda que acompanhada de uma porção de outras dúvidas. Mas quem é que precisa de manual? Algumas coisas são universais, como o grande botão vermelho, que mesmo que tenha power escrito em mandarim, será pressionado instintivamente quando o propósito for ligar a tv. E em todo o resto dá-se jeito. Ninguém deve saber qual a função de cada um de todos aqueles botões mesmo.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Ele vá dor
Ouvindo músicas não tão antigas, fragmentos de uma parte que parece agora tão distante. Não se sabe ao certo onde. Talvez não façam sentido hoje - ou nunca tenham feito. Mas carregam as memórias todas algemadas ao punho. Não se perderiam ou escapariam mesmo que quisessem, chave não há. Resignação apenas. E continua a arrastá-las.
Diálogos entremeados por constrangedores silêncios - espelhos-, e a confirmação de que nada voltará ao antes. Não que devesse. Amizades reduzidas a elevador. Condicionadores de ar e a fria parede invisível/intransponível. Felizmente, uma hora a porta há de se abrir no andar previamente escolhido - justificada fuga. A culpa vem de escada (que encontre a porta trancada).
Ouvindo músicas não tão antigas, fragmentos de uma parte que parece agora tão distante. Não se sabe ao certo onde. Talvez não façam sentido hoje - ou nunca tenham feito. Mas carregam as memórias todas algemadas ao punho. Não se perderiam ou escapariam mesmo que quisessem, chave não há. Resignação apenas. E continua a arrastá-las.
Diálogos entremeados por constrangedores silêncios - espelhos-, e a confirmação de que nada voltará ao antes. Não que devesse. Amizades reduzidas a elevador. Condicionadores de ar e a fria parede invisível/intransponível. Felizmente, uma hora a porta há de se abrir no andar previamente escolhido - justificada fuga. A culpa vem de escada (que encontre a porta trancada).
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