segunda-feira, 16 de junho de 2008

Sabe, as coisas têm dado certo, por mais que eu insista em acreditar no contrário.

"Se a gente já não sabe mais
rir um do outro, meu bem
então o que resta é chorar
E talvez, se tem que durar
vem renascido o amor bento de lágrimas"'


Los Hermanos - O vento

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Vontade de pôr a vida em ordem, como se fosse um grande armário bagunçado. E eu já sei por onde vou começar.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Você não gosta de mim.
Que pena.

Podíamos ter um ao outro para dividir o jornal e as manhãs.
Podíamos ficar observando a cortina voejar janela adentro
e os nossos papéis espalhados
sobre os lençóis
espelhos
aquários.

Podíamos ficar despenteados aos domingos.
Podíamos nunca mais nos pentear
nem ficar sozinhos
ou vestir roupas.

Podíamos ter uma luneta
uma árvore torta na calçada
uma escadaria em forma de caracol
um sótão, uma lareira
ou nada disso.

Podíamos viver a história secreta que sempre quisemos compartilhar.
E quem sabe até ganhar na loteria
sonegar impostos
acreditar em horóscopos
ou em futuro
andar no arame
colecionar moedas.
Viagens. Fotografias. Souvenirs.
Filhos lindos, estabanados, falastrões e geniais.
Sobrinhos. Netos. Natais. Cometas Halley.

Podíamos ter tudo, e tanto.
Mas você não gosta de mim.
Tudo bem.
E é uma pena.

Ela assinava singelamente como pri e escrevia num já falecido zine de/para meninas.

Seus olhos te denunciam quando fogem dos meus;
suas mãos, quando tateiam incertas as minhas costas.
Sei que não é recíproco quando cada elogio não é retribuído,
apenas agradecido.
Que pena.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Insensatez

Tenho me esforçado muito, muito mesmo, pra tentar entender por quê você se transformou nesse fantasma que me assombra incansavelmente, que não me deixa esquecer nem por um minuto, do instante em que toca o despertador àquele em que encosto a cabeça no travesseiro. Cheguei a pensar que estivesse louca. Afinal, já não tenho mais idade para acreditar em alma penada, assombração. Aí vem você e me faz lembrar dos tempos de escola, das mulheres de branco que supostamente apareceriam no banheiro se chamadas três vezes (e eu, no alto de minha covardia, nunca chegava à terceira vez).

Talvez seja porque, mesma contra todos os meus esforços e minha vontade, nós sejamos assim, tão parecidas. Daí essa minha mania de tentar ser o seu contrário, talvez porque você represente tudo de pior que há em mim. E por isso, essa semelhança tanto me surpreende quanto me dói.

Seja lá como for, eu não te quero mais aqui, eu não preciso de você nem como exemplo a não ser seguido. Pára de tentar me fazer acreditar que essa vida não é a minha e vá embora, você já não me ameadontra mais. Me deixa ser em paz.
Que nem passarinho

Esse menino bonito, das palavras e músicas bonitas,
dos olhos apertados escondidos atrás dos vidros
que quando se mostram têm o brilho mais bonito que eu já vi,
que quando me olham assim, mais demorados,
fazem inverno no meu estômago;
olhos que se fecham quando o menino canta bonito
pra não roubarem a cena;
do meio sorriso de canto de boca que me desvanece;
do cheiro que insiste em morar no meu nariz;
das mãos quentes que aquecem as minhas frias;
dos braços que dão o abraço mais confortável
que cura qualquer dor nas costas;
da voz que me deseja o bom dia mais ensolarado
que ilumina todo meu dia, todo dia.

Esse menino não é só um menino,
já não é mais um menino.
Meu coração é passarinho preso dentro da gaiola do meu peito.