sábado, 15 de setembro de 2007

"Vou mostrando como sou e vou sendo como posso. Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos. E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto. E passo aos olhos nus ou vestidos de lunetas. Passado, presente, participo sendo o mistério do planeta.

O tríplice mistério do stop, que eu passo por e sendo ele no que fica em cada um. No que sigo o meu caminho e no ar que fez e assistiu. Abra um parênteses, não esqueça que independente disso eu não passo de um malandro, de um moleque do Brasil, que peço e dou esmolas. Mas ando e penso sempre com mais de um, por isso ninguém vê minha sacola."

Novos Baianos - Mistério do planeta

domingo, 9 de setembro de 2007

Paralizo diante de meus medos. O gás ligado e o fósforo apagado, o volante e a rua cheia de carros. Solidão é pizza delivery no almoço de domingo em frente à tv. Filme chinês às 7.

sábado, 8 de setembro de 2007

Em sábados ensolarados como esse é que dá vontade de fugir do asfalto, correr pro mato, morar no sítio, como fizeram aqueles cabeludos lá nos idos de 70. E fazer samba, jogar bola - pensar em tudo, só pra não pensar em nada.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Dos círculos

A vida vai carregando a gente pra uns lugares estranhos, sem perguntar pra onde - e se - a gente quer ir. E a gente vai indo, sem perceber até, e deixando o que conquistou pra trás, porque a vida não permite excesso de bagagem. Às vezes, a gente se dá conta e vê as milhares de estradas que a vida construiu, e o caos que há nelas. E dá vontade de parar, voltar atrás. E passar.

As coisas todas se repetem indefinidamente. E se as coisas são sempre as mesmas, não me sinto mais culpada por dizer as mesmas coisas. Os clichês são as coisas das coisas. O relógio velho, a chuva.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Sabe quando você descobre que, por mais que tente, não vai dar certo? Isso não devia ser permitido.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

A arte de deixar tudo pra depois

Não é vanguarda, eu sei. Mas é só o que eu sei fazer. Deitar no sofá com o controle remoto na mão e pensar em quanta coisa eu tenho a fazer. Pilhas de textos e livros a ler, dissertações e resenhas a escrever. Dizer que não é humanamente possível cumprir todos os prazos, que a faculdade vai me enlouquecer. Mas continuar deitada no sofá com o controle remoto na mão, pulando canais, pensando em nada. Me acostumei, como se o comodismo não me fosse peculiar. Enquanto isso, vou exercitando o abdômen, empurrando com a barriga.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Deixa a acomodação e o egoísmo pra lá. Anda tudo tão tranqüilo ultimamente que não tenho tido nem vontade de reclamar. E olha que esse é um dos meus esportes favoritos. Sabe quando as coisas vão bem? Pois é. A faculdade, os amigos, a família, aquele cara legal. Tudo na mais perfeita ordem. Estranho, não? Talvez não. É que a gente está tão acostumada a estar sempre cercada de problemas e preocupações de todo tipo que quando as coisas simplesmente dão certo, desconfia. Sempre bom manter um pé atrás, eu sei; evitar acidentes. Mas pra quem viveu a vida toda assim, um pouco de precaução a menos faz bem. Não precisa pular de cabeça, é claro. Assim como cada passo não deve ser, necessariamente, calculado. Enfim, parece que alguém aí anda editando as "sad parts" por mim. E olha, eu não me incomodo, tá?

Muito provavelmente seja devido a isso esse hiato criativo, essa falta do que escrever. A paz não inspira, não desperta. Assim calma, silenciosa, adormece - ainda que com um sorriso no rosto. E se tempestade e calmaria andam juntas, prefiro nem pensar no que vem por aí.