segunda-feira, 21 de maio de 2007

Vivendo à base de crises de identidade, transtornos bipolares, porres, cagadas e afins. E já que não sei mais escrever (nunca soube), vou cuspindo, que é pra não engasgar.

Ps: forte tendência ao despropósito. Porque a vida como ela é só tem graça com o Nelson Rodrigues.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Ela ri agora. Penteia-se, pinta-se. Não se envergonha. Sabe que longe das paredes vermelhas de cada um nenhuma cara é lavada. Anda leve, pensa histórias. Não se desespera. Comete excessos sem culpa, despenteia-se. E manda à merda a ressaca moral e os bons costumes.

terça-feira, 15 de maio de 2007

A menina se senta cansada. Tanto finge ser mulher, tão moderna. Tanto procura razão, ração. Perde-se em meio a tantos livros, teorias, doutrinas. Chora o lirismo que se esvai com a maquiagem pelo ralo do banheiro.

Um banho quente para sempre, lençóis limpos, manhã chuvosa. E a branca e fria proteção dos azulejos. Um inverno inteiro para si, mais ninguém. Mas este outono insiste em ser verão.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Fiz as pazes comigo. Com a música leve, os filmes e seus finais felizes, as páginas tímidas dos livros. Com o dia nublado bonito ali fora, o vento no jardim despedaçado pelo outono. Os amigos melhores e seus abraços, a embriaguez das noites de sábado. Até as manhãs quietas, que vão se fazendo agradavelmente barulhentas. As sonecas da tarde sem culpa, pra depois fazer o dever. Com a efemeridade das coisas, até as supostamente duradouras. E os lugares-comuns, as filosofias baratas, os sambas e botequins. Fiz as pazes comigo, e posso voltar a ser eu no meio de tanta gente.



O sol ensolarará a estrada dela, a lua alumiará o mar. A vida é bela, o sol, a estrada amarela, e as ondas, as ondas, as ondas, as ondas.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Minha cabeça é uma cidade abandonada num filme de faroeste. Posso sentir o vento assoviar e soprar uma bola de feno no meio da poeira. Não penso mais, e é como se algo bloqueasse qualquer tentativa de sair dessa inércia intelectual. Não que eu esteja me esforçando muito, é verdade. É que nada tem me despertado algum interesse, tudo anda terrivelmente sem graça. Nem meus problemas me importam mais (não que eu os tenha, mas costumava me divertir inventando-os).

Se nem meus draminhas psicológicos têm me interessado, que dirá as mazelas do mundo. Fome, terrorismo, desigualdade social, aquecimento global, e lá se vai minha minúscula paciência. O mesmo pra Nietzsche, Nouvelle Vague e toda intelectualidade - pseudo ou não. Fiquei burra. Ou simplesmente cansei. Uma incrível retória ou uma cara blasé já não me comovem. Me refugio em estupidez e futilidade, lugares confortáveis e seguros.

Tudo tende ao tédio, fato. E todo entediado me irrita profundamente, embora muito provavelmente seja isso - o tédio - a principal causa desse vácuo mental. Eu me irrito, e estou em processo de auto-irritação neste exato momento. A solução é uma boa dose de alienação. Vou desligar o livro e ler a tv, então. Não que eu me orgulhe disso.

quinta-feira, 8 de março de 2007

A gente tenta encontrar explicação pra tudo, o tempo todo. Uma causa, razão, um culpado. Mas, infeliz ou felizmente, nem sempre encontra. Na verdade, poucas vezes há realmente um porquê, ou por quem. E como é difícil perceber - e aceitar - que a responsabilidade é sua, toda sua. Se essa nuvem acinzentada insiste em permanecer rondando sua cabeça, você é que deixa ela ficar aí, te atormentando. Assim como esse arco-íris que se estende a sua frente, foi você quem pintou.

Não adianta esperar que alguém surja de repente e te faça feliz. Felicidade não tem delivery. Só depois de entender que ninguém vale a pena, é que todo mundo passa a valer a pena. Uns menos, outros mais. Mas vale uma peninha que seja. E essa história de não correr atrás das borboletas talvez faça sentido. Mas ficar só cuidando do jardim pode não ser a solução. O importante é não esperar apenas borboletas, mas se divertir também com as mariposas, abelhas e vagalumes que ficam voando por aí. E, principalmente, praticar o desapego. Porque uma horas elas vão embora, e você vai ficar. Bem ou mal, depende de você.

Ser o único responsável por si é chato, pesa e incomoda. Mas é bom saber que também é você quem vai te levantar quando ninguém estiver por perto pra estender a mão. Então bate a poeira e vai dançar. E quer saber, eu me sinto terrivelmente bem.

Mode auto-ajuda: on.

domingo, 4 de março de 2007

Uma saidera, pouca saudade

O dia depois e os olhos pequenos vermelhos de sono e soro, da noite mal dormida e o tempo perdido. Acreditar nas inocentes pequenas mentiras contadas por si para si. Conforto, consolo.

Tantas vezes lidas - relidas - palavras bonitas de Chico, despropositadamente deixadas na porta do banheiro do bar. O último cigarro e a conhecida sensação de que continua sendo em vão.

Quem sabe um dia voltem.