quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Hoje eu queria tudo diferente. Queria outra cidade, outras ruas pra andar, ruas inéditas ladeadas de casas que eu nunca vi. Queria outras pessoas, outras vozes contando histórias que eu nunca ouvi. Hoje eu queria ter outra cara. Ou ser ninguém, invisível. Poder amassar o papel em que tudo está escrito, ser de novo um papel branco, imaculado. E escrever tudo de novo. Ou deixá-lo assim.

Hoje eu queria não ser.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Não há nada que desperte mais inveja que a felicidade. Não é preciso ser bonito, rico ou inteligente. Basta que seja feliz.

Que triste viver dessa amargura!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A pálida

"No café-da-manhã, minhas certezas servem-se de dúvidas. E têm dias em que me sinto estrangeiro em Montevidéu e em qualquer outra parte. Nesses dias, dias sem sol, noites sem lua, nenhum lugar é o meu lugar e não consigo me reconhecer em nada, em ninguém. As palavras não se parecem àquilo que dão nome, e não se parecem nem mesmo ao seu próprio som. Então não estou onde estou. Deixo meu corpo e saio, para longe, para lugar nenhum, e não quero estar com ninguém, nem mesmo comigo, e não tenho, nem quero ter, nome algum: então perco a vontade de me chamar ou de ser chamado."

O livro dos abraços. Eduardo Galeano.
Da idade e a seletividade

É fato: com o passar dos anos, o círculo social de todo mundo diminui. E a relação existente entre a idade e o número de amigos é lógica. Ao longo dos anos, nosso tempo vai se tornando casa vez mais escasso, o que faz com que tenhamos que aproveitar da melhor maneira possível o pouco tempo livre que costuma nos restar.

Daí surge a seletividade. Ora, quanto mais curto for o tempo disponível para dedicar-nos aos amigos, menor será também o número de amigos a quem nos dedicaremos. Sim, porque amizade demanda dedicação, tem de ser cultivada. Assim, passamos a selecionar, muitas vezes inconscientemente, aqueles que teremos por perto nos raros momentos de diversão - mas não apenas nestes. Além disso, existem também os fatores alheios à nossa vontade que acabam nos afastando de determinadas pessoas e aproximando de outras.

Aí, então, quem nós mantínhamos por perto mais por comodismo que por afinidade, aqueles de quem não recebíamos de volta o tempo e dedicação que por nós lhes eram dispensados, esses vão ficando pelo caminho, porque o tempo (ou a falta dele) ensina que é preciso livrar-se do excesso de bagagem.

sábado, 4 de setembro de 2010

Quando fecho a porta do quarto me sinto a única moradora de um mundo que eu gosto tanto. Sensação boa de estar bem acompanhada, ainda que sozinha.