domingo, 29 de junho de 2008
E quando a gente se olha assim, mais demorado, com aquele sorriso cerrado que não pode se abrir pra não deixar escapar nosso segredo por entre os dentes. E os olhos esforçando-se sobre-humanamente, tentando dizer sozinhos o que à boca não é permitido. Esse segredo tão escondido aqui dentro que eu nem sei dizer ao certo o que é. Só sei que é.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
terça-feira, 24 de junho de 2008
sábado, 21 de junho de 2008
One Art
"The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster."
Elizabeth Bishop
"The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster."
Elizabeth Bishop
quarta-feira, 18 de junho de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Até amanhã
O que eu tenho a te oferecer talvez pareça pouco. Não vale muito, não enche uma sacola. É leve que nem brisa de mar, sol de inverno. Mas necessário como chuva de verão, céu de estrela. Confortável como casa amarela, rede na varanda, cachorro gordo abanando o rabo na entrada. E tão barato quanto cerveja de botequim, café no copo plástico. Ainda que desejado como sorriso de manhã, abraço no inverno.
Só o que eu tenho a te oferecer é sossego, aconhego, paz. Sarar teus ais, te fazer feliz.
O que eu tenho a te oferecer talvez pareça pouco. Não vale muito, não enche uma sacola. É leve que nem brisa de mar, sol de inverno. Mas necessário como chuva de verão, céu de estrela. Confortável como casa amarela, rede na varanda, cachorro gordo abanando o rabo na entrada. E tão barato quanto cerveja de botequim, café no copo plástico. Ainda que desejado como sorriso de manhã, abraço no inverno.
Só o que eu tenho a te oferecer é sossego, aconhego, paz. Sarar teus ais, te fazer feliz.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Você não gosta de mim.
Que pena.
Podíamos ter um ao outro para dividir o jornal e as manhãs.
Podíamos ficar observando a cortina voejar janela adentro
e os nossos papéis espalhados
sobre os lençóis
espelhos
aquários.
Podíamos ficar despenteados aos domingos.
Podíamos nunca mais nos pentear
nem ficar sozinhos
ou vestir roupas.
Podíamos ter uma luneta
uma árvore torta na calçada
uma escadaria em forma de caracol
um sótão, uma lareira
ou nada disso.
Podíamos viver a história secreta que sempre quisemos compartilhar.
E quem sabe até ganhar na loteria
sonegar impostos
acreditar em horóscopos
ou em futuro
andar no arame
colecionar moedas.
Viagens. Fotografias. Souvenirs.
Filhos lindos, estabanados, falastrões e geniais.
Sobrinhos. Netos. Natais. Cometas Halley.
Podíamos ter tudo, e tanto.
Mas você não gosta de mim.
Tudo bem.
E é uma pena.
Que pena.
Podíamos ter um ao outro para dividir o jornal e as manhãs.
Podíamos ficar observando a cortina voejar janela adentro
e os nossos papéis espalhados
sobre os lençóis
espelhos
aquários.
Podíamos ficar despenteados aos domingos.
Podíamos nunca mais nos pentear
nem ficar sozinhos
ou vestir roupas.
Podíamos ter uma luneta
uma árvore torta na calçada
uma escadaria em forma de caracol
um sótão, uma lareira
ou nada disso.
Podíamos viver a história secreta que sempre quisemos compartilhar.
E quem sabe até ganhar na loteria
sonegar impostos
acreditar em horóscopos
ou em futuro
andar no arame
colecionar moedas.
Viagens. Fotografias. Souvenirs.
Filhos lindos, estabanados, falastrões e geniais.
Sobrinhos. Netos. Natais. Cometas Halley.
Podíamos ter tudo, e tanto.
Mas você não gosta de mim.
Tudo bem.
E é uma pena.
Ela assinava singelamente como pri e escrevia num já falecido zine de/para meninas.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Insensatez
Tenho me esforçado muito, muito mesmo, pra tentar entender por quê você se transformou nesse fantasma que me assombra incansavelmente, que não me deixa esquecer nem por um minuto, do instante em que toca o despertador àquele em que encosto a cabeça no travesseiro. Cheguei a pensar que estivesse louca. Afinal, já não tenho mais idade para acreditar em alma penada, assombração. Aí vem você e me faz lembrar dos tempos de escola, das mulheres de branco que supostamente apareceriam no banheiro se chamadas três vezes (e eu, no alto de minha covardia, nunca chegava à terceira vez).
Talvez seja porque, mesma contra todos os meus esforços e minha vontade, nós sejamos assim, tão parecidas. Daí essa minha mania de tentar ser o seu contrário, talvez porque você represente tudo de pior que há em mim. E por isso, essa semelhança tanto me surpreende quanto me dói.
Seja lá como for, eu não te quero mais aqui, eu não preciso de você nem como exemplo a não ser seguido. Pára de tentar me fazer acreditar que essa vida não é a minha e vá embora, você já não me ameadontra mais. Me deixa ser em paz.
Tenho me esforçado muito, muito mesmo, pra tentar entender por quê você se transformou nesse fantasma que me assombra incansavelmente, que não me deixa esquecer nem por um minuto, do instante em que toca o despertador àquele em que encosto a cabeça no travesseiro. Cheguei a pensar que estivesse louca. Afinal, já não tenho mais idade para acreditar em alma penada, assombração. Aí vem você e me faz lembrar dos tempos de escola, das mulheres de branco que supostamente apareceriam no banheiro se chamadas três vezes (e eu, no alto de minha covardia, nunca chegava à terceira vez).
Talvez seja porque, mesma contra todos os meus esforços e minha vontade, nós sejamos assim, tão parecidas. Daí essa minha mania de tentar ser o seu contrário, talvez porque você represente tudo de pior que há em mim. E por isso, essa semelhança tanto me surpreende quanto me dói.
Seja lá como for, eu não te quero mais aqui, eu não preciso de você nem como exemplo a não ser seguido. Pára de tentar me fazer acreditar que essa vida não é a minha e vá embora, você já não me ameadontra mais. Me deixa ser em paz.
Que nem passarinho
Esse menino bonito, das palavras e músicas bonitas,
dos olhos apertados escondidos atrás dos vidros
que quando se mostram têm o brilho mais bonito que eu já vi,
que quando me olham assim, mais demorados,
fazem inverno no meu estômago;
olhos que se fecham quando o menino canta bonito
pra não roubarem a cena;
do meio sorriso de canto de boca que me desvanece;
do cheiro que insiste em morar no meu nariz;
das mãos quentes que aquecem as minhas frias;
dos braços que dão o abraço mais confortável
que cura qualquer dor nas costas;
da voz que me deseja o bom dia mais ensolarado
que ilumina todo meu dia, todo dia.
Esse menino não é só um menino,
já não é mais um menino.
Esse menino bonito, das palavras e músicas bonitas,
dos olhos apertados escondidos atrás dos vidros
que quando se mostram têm o brilho mais bonito que eu já vi,
que quando me olham assim, mais demorados,
fazem inverno no meu estômago;
olhos que se fecham quando o menino canta bonito
pra não roubarem a cena;
do meio sorriso de canto de boca que me desvanece;
do cheiro que insiste em morar no meu nariz;
das mãos quentes que aquecem as minhas frias;
dos braços que dão o abraço mais confortável
que cura qualquer dor nas costas;
da voz que me deseja o bom dia mais ensolarado
que ilumina todo meu dia, todo dia.
Esse menino não é só um menino,
já não é mais um menino.
Assinar:
Comentários (Atom)