terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Você lutou. Travou combate contra si mesma e toda insegurança, cansaço e a tentadora opção de simplesmente desistir. Tirou forças sabe lá deus de onde, descobriu uma persistência até então desconhecida. Veio, viu e venceu.

E como o irritante cãozinho que late e corre atrás do carro - e quando o carro pára, ele também -, você se depara com a grande conquista de sua vida, seu maior trófeu, o mérito de todo o descomunal esforço. E pára.

Decepcionada? Não exatamente. Confusa, talvez. É que ninguém se deu ao trabalho de dizer o que fazer depois. Falta uma parte desse manual. Os de eletrodomésticos ensinam não só a montar, mas também a usar, paciente e ilustradamente. Quisera ter conquistado um liquidificador.

Talvez aquele inverno estomacal posterior à dúvida não se repita exatamente porque a mesma foi confirmada. O que há agora é uma certeza - ainda que acompanhada de uma porção de outras dúvidas. Mas quem é que precisa de manual? Algumas coisas são universais, como o grande botão vermelho, que mesmo que tenha power escrito em mandarim, será pressionado instintivamente quando o propósito for ligar a tv. E em todo o resto dá-se jeito. Ninguém deve saber qual a função de cada um de todos aqueles botões mesmo.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Ele vá dor

Ouvindo músicas não tão antigas, fragmentos de uma parte que parece agora tão distante. Não se sabe ao certo onde. Talvez não façam sentido hoje - ou nunca tenham feito. Mas carregam as memórias todas algemadas ao punho. Não se perderiam ou escapariam mesmo que quisessem, chave não há. Resignação apenas. E continua a arrastá-las.

Diálogos entremeados por constrangedores silêncios - espelhos-, e a confirmação de que nada voltará ao antes. Não que devesse. Amizades reduzidas a elevador. Condicionadores de ar e a fria parede invisível/intransponível. Felizmente, uma hora a porta há de se abrir no andar previamente escolhido - justificada fuga. A culpa vem de escada (que encontre a porta trancada).

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Protesto pelo imperfeito

O assimétrico, desarmonioso, desproporcional, desproposital
Fim às réguas e regras

Uma cusparada em toda esteticidade.



Ao som de Wander Wildner, que queria ser bonito, mas não consegue porque sempre volta atrás.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

De repente, esta janela me pareceu tão cinza e triste. Não mais que de repente.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Buscando o sentido

O sentido, acho, é a entidade mais misteriosa do universo.
Relação, não coisa, entre a consciência, a vivência e as coisas e os eventos.
O sentido dos gestos. O sentido dos produtos. O sentido do ato de existir.
Me recuso a viver num mundo sem sentido.
Estes anseios/ensaios são incursões conceptuais em busca do sentido.
Pois isso é próprio da natureza do sentido: ele não existe nas coisas, tem que ser buscado, numa busca que é sua própria fundação.
Só buscar o sentido faz, realmente, sentido.
Tirando isso, não tem sentido.

Paulo Leminski
Curitiba, agosto de 1986




É.